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45 – Dragão

Que viesse a mim o Dragão. Alinho as sete na terra. Estrelas amarelas, esferas laranjas, superfícies polidas — reluzem feéricas. Do interior de cada uma, compassadamente, passam a pipocar faíscas Como fogos de artifício minúsculos que, em seu apagar-se e surgir, para quem soubesse ler exibiriam sucessivos ideogramas das linguagens do segredo. A agitação desses fulgores foi se transformando em uma única massa de luz, homogênea energia branca que primeiro preencheu os artefatos e após escapou dos seus limites. A explosão me atirou para trás; o brilho ofuscou minha vista; o clarão me engoliu. De um fiapo verde no branco leitoso e elétrico brotou o animal. O turbilhão luminoso era a sua incubadora. O astro no horizonte foi coagido a pôr-se, o firmamento, reconhecendo que assim era apropriado, estremeceu em tempestade. Raios rabiscam garatujas na imensa rajada vertical, até tocarem sem qualquer dano a carne reptiliana. Fez-se o Dragão. A realidade fora espancada. Eu sou ridículo e miserável frente ao titânico da divindade. Peço. Ele sorri dentes grandes como destinos.

E responde:

— Isto não pode nada…